{"id":30510,"date":"2016-06-24T08:31:25","date_gmt":"2016-06-24T07:31:25","guid":{"rendered":"https:\/\/atlantipedia.ie\/samples\/?p=30510"},"modified":"2018-03-31T07:24:51","modified_gmt":"2018-03-31T06:24:51","slug":"archive-3091","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atlantipedia.ie\/samples\/archive-3091\/","title":{"rendered":"Archive 3091"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>This is the html version of the file https:\/\/www.esocite.org.br\/eventos\/tecsoc2011\/cd-anais\/arquivos\/pdfs\/artigos\/gt017-representacoesde.pdf. <strong>Google<\/strong> automatically generates html versions of documents as we crawl the web.<\/p>\n<p>Representa\u00e7\u00f5es de Tecnologia e ci\u00eancia nas obras de Gustavo Barroso (1930- 1935) Representations of science and technology in<\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Page 1<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>1<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Representa\u00e7\u00f5es de Tecnologia e ci\u00eancia nas obras de Gustavo Barroso (1930-<\/strong><\/p>\n<p><strong>1935)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Representations of science and technology in the works of Gustavo Barroso<\/strong><\/p>\n<p><strong>(1930-1935)<\/strong><\/p>\n<p>Karla de Souza Babinski Graduanda em Hist\u00f3ria,<\/p>\n<p>PUC-PR karla_babisnki@yahoo.com.br<\/p>\n<p>Gilson Leandro Queluz Doutor em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica<\/p>\n<p>UTFPR queluz@utfpr.edu.br<\/p>\n<p><strong>RESUMO <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presente artigo tem como objetivo analisar as representa\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas encontradas nos<\/p>\n<p>textos de Gustavo Barroso, um dos l\u00edderes integralistas, no per\u00edodo entre 1930-1935. A pesquisa<\/p>\n<p>foi embasada em textos relacionados principalmente ao Integralismo e ao Nazismo, procurando a<\/p>\n<p>compreens\u00e3o das pol\u00edticas e transforma\u00e7\u00f5es mundiais, al\u00e9m da an\u00e1lise dos livros de Gustavo<\/p>\n<p>Barroso, destacando-se <em>Aqu\u00e9m da Atl\u00e2ntida <\/em>e o <em>Quarto Imp\u00e9rio<\/em>. Os resultados da pesquisa<\/p>\n<p>demonstram que os estudos relacionados a Gustavo Barroso est\u00e3o focalizados geralmente em sua<\/p>\n<p>vis\u00e3o anti-semita, que \u00e9 tema de destaque em suas obras. Por\u00e9m, nossa an\u00e1lise tem o intuito de<\/p>\n<p>destacar as percep\u00e7\u00f5es de Barroso, relacionadas a modernidade, a tecnologia e a ci\u00eancia,<\/p>\n<p>intimamente ligadas, como veremos, a articula\u00e7\u00e3o de seu pensamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Palavras-Chave: <\/strong>Gustavo Barroso, Integralismo, Modernidade, Tecnologia.<\/p>\n<p><strong>Abstract <\/strong><\/p>\n<p>This article aims to analyze the technological representations found in the writings of Gustavo<\/p>\n<p>Barroso, a leading Integralist in the period of 1930-1935. The research was based- for the<\/p>\n<p>understanding of the political and global transformations- mainly on bibliography related to the<\/p>\n<p>integralism and the Nazism, besides the analysis of books of Gustavo Barroso, specially <em>Aqu\u00e9m<\/em><\/p>\n<p><em>da Atl\u00e2ntida <\/em>and the <em>Quarto Imp\u00e9rio<\/em>. The results of the research show that the studies about<\/p>\n<p>Gustavo Barroso are focused on his vision of anti-semitism, which is actually a prominent theme<\/p>\n<p>in his works. However, our analysis aims to highlight the perceptions of Barroso, related to<\/p>\n<p>modernity, technology and science which are closely tied in the articulation of his political<\/p>\n<p>thought.<\/p>\n<p><strong>Key-words: <\/strong>Gustavo Barroso, Integralism, Modernity, Technology.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Page 2<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>2<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Representa\u00e7\u00f5es de Tecnologia e ci\u00eancia nas obras de Gustavo Barroso (1930-1935)<\/strong><\/p>\n<p>Este artigo tem o intuito de compreender as representa\u00e7\u00f5es de tecnologia e ci\u00eancia nas<\/p>\n<p>obras de Gustavo Barroso, por essa raz\u00e3o, seria importante verificarmos o que se entende por<\/p>\n<p>representa\u00e7\u00f5es. Segundo Chartier (2002),<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria cultural, tal como a entendemos, tem por principal objecto identificar o modo<\/p>\n<p>como em diferentes lugares e momentos uma determinada realidade social \u00e9 constru\u00edda,<\/p>\n<p>pensada, dada a ler [&#8230;] Vari\u00e1veis consoante as classes sociais ou os meios intelectuais,<\/p>\n<p>s\u00e3o produzidas pelas disposi\u00e7\u00f5es est\u00e1veis e partilhadas, pr\u00f3prias de grupo. <em>S\u00e3o estes<\/em><\/p>\n<p><em>esquemas intelectuais incorporados que criam as figuras gra\u00e7as \u00e0s quais o presente<\/em><\/p>\n<p><em>pode adquirir sentido, o outro torna-se intelig\u00edvel e o espa\u00e7o ser decifrado<\/em><\/p>\n<p>(CHARTIER, 2002, p. 16,17, grifo nosso).<\/p>\n<p>As representa\u00e7\u00f5es s\u00e3o, ent\u00e3o, pensamentos e discursos, em determinado tempo e espa\u00e7o,<\/p>\n<p>que foram constru\u00eddos socialmente. Mas, segundo ainda Chartier (2002), essas representa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>constru\u00eddas por determinado grupo, n\u00e3o s\u00e3o neutras. Para o autor:<\/p>\n<p>[&#8230;] produzem estrat\u00e9gias e pr\u00e1ticas (sociais, escolares, pol\u00edticas) que tendem a impor<\/p>\n<p>uma autoridade \u00e0 custa de outros, por elas menosprezados, a legitimar um projeto<\/p>\n<p>reformador ou a justificar, para os pr\u00f3prios indiv\u00edduos, as suas escolhas e condutas. Por<\/p>\n<p>isso esta investiga\u00e7\u00e3o sobre as representa\u00e7\u00f5es sup\u00f5e-nas como estando sempre colocadas<\/p>\n<p>num campo de concorr\u00eancias e de competi\u00e7\u00f5es cujos desafios se enunciam em termos de<\/p>\n<p>poder e de domina\u00e7\u00e3o. <em>As lutas de representa\u00e7\u00f5es t\u00eam tanta import\u00e2ncia como as lutas<\/em><\/p>\n<p><em>econ\u00f4micas para compreender os mecanismos pelos quais um grupo imp\u00f5e, ou tenta<\/em><\/p>\n<p><em>impor, a sua concep\u00e7\u00e3o do mundo social, os valores que s\u00e3o os seus, e o seu dom\u00ednio<\/em><\/p>\n<p>(CHARTIER, 2002, p.17, grifo nosso).<\/p>\n<p>\u00c9 neste pensamento que nos embasaremos para abordar nosso tema, pois, como<\/p>\n<p>destacamos, as representa\u00e7\u00f5es s\u00e3o estabelecidas pelos valores e ideias de determinado grupo para<\/p>\n<p>obten\u00e7\u00e3o de poder, e Gustavo Barroso n\u00e3o se distanciava desse contexto.<\/p>\n<p>\u00c9 importante observar que as tecnologias transformam e s\u00e3o transformadas no meio em<\/p>\n<p>que vivemos, com suas representa\u00e7\u00f5es sendo imbu\u00eddas de valores:<\/p>\n<p>As tecnologias n\u00e3o apenas refletem a nossa sociedade, mas tamb\u00e9m a refratam. Desta<\/p>\n<p>forma, a tecnologia n\u00e3o ser\u00e1 considerada apenas como um sistema de m\u00e1quinas com<\/p>\n<p>certas fun\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m em seu aspecto de din\u00e2mica inter-rela\u00e7\u00e3o com a constru\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>social da realidade. Tecnologias s\u00e3o, portanto, constru\u00e7\u00f5es sociais, elas n\u00e3o s\u00e3o apenas<\/p>\n<p>objetos, mas tamb\u00e9m express\u00f5es culturais. (Queluz 2010, p. 27)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gustavo Adolfo Lu\u00edz Guilherme Dodt da Cunha Barroso nasceu na cidade de Fortaleza no<\/p>\n<p>dia 29 de dezembro de 1888, filho de Ant\u00f4nio Filinto Barroso e de Ana Dodt Barroso. Gustavo<\/p>\n<p>foi um intelectual de seu tempo, escrevendo v\u00e1rios livros, ligados principalmente ao folclore<\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Page 3<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>3<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>nordestino, al\u00e9m de publicar artigos em diversos peri\u00f3dicos 1. Utilizava pseud\u00f4nimos, sendo o<\/p>\n<p>que lhe trouxe maior reconhecimento foi o de Jo\u00e3o do Norte. Fez parte da Academia Brasileira de<\/p>\n<p>Letras, sendo o terceiro ocupante da cadeira 19, eleito em 1923. Tamb\u00e9m fundou e dirigiu o<\/p>\n<p>Museu Hist\u00f3rico Nacional, ocupando o cargo de diretor entre o per\u00edodo de 1922 a 1959, onde se<\/p>\n<p>afastou da fun\u00e7\u00e3o apenas no per\u00edodo entre 1930 e 1932 (MAIO, 1992, p. 67-73).<\/p>\n<p>Gustavo Barroso aderiu ao integralismo em 1933, se tornando um de seus principais<\/p>\n<p>l\u00edderes. Neste per\u00edodo, suas obras passaram a ter um forte vi\u00e9s autorit\u00e1rio. Sua vis\u00e3o sobre a<\/p>\n<p>modernidade e a tecnologia comungava n\u00e3o somente com a vis\u00e3o dos integrantes da AIB, mas,<\/p>\n<p>aquela hegem\u00f4nica em grande parte dos intelectuais deste per\u00edodo, ligados a uma perspectiva<\/p>\n<p>pol\u00edtica autorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira (AIB), fundada oficialmente em 7 de outubro de 1932,<\/p>\n<p>propunha ideias de mudan\u00e7a no quadro pol\u00edtico brasileiro da \u00e9poca, onde as oligarquias ainda<\/p>\n<p>eram muito influentes no cen\u00e1rio pol\u00edtico. O per\u00edodo entre o final da Rep\u00fablica Velha, e o<\/p>\n<p>surgimento do Estado Novo, favoreceu o surgimento deste partido, em um momento, onde, ap\u00f3s<\/p>\n<p>a crise de 1929, o liberalismo perdia sua for\u00e7a pol\u00edtica no mundo (MAIO, 2002, p. 78). \u00c9 neste<\/p>\n<p>contexto, que, com a ascens\u00e3o de alguns partidos de extrema-direita em v\u00e1rias partes do mundo,<\/p>\n<p>destacando-se o fascismo e o nazismo, surgir\u00e1 em nosso pa\u00eds o Integralismo, que tem grande<\/p>\n<p>similaridade com os partidos fascistas, principalmente na simbologia, desfiles, propagandas e<\/p>\n<p>ideologias e que ter\u00e1 grande influ\u00eancia no pensamento e escrita de Barroso2.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia de pensamentos fascistas, principalmente o nazista, demonstrado fortemente<\/p>\n<p>no sentimento anti-semita de Gustavo Barroso, foi tema de destaque em suas obras. Trindade<\/p>\n<p>(1979) relata que o anti-semitismo n\u00e3o foi uma ideologia pregada por todos os integrantes da<\/p>\n<p>AIB, mas, \u201c&#8230; quando te\u00f3ricos e dirigentes integralistas criticam a tend\u00eancia de Barroso, suas<\/p>\n<p>atitudes n\u00e3o significam uma posi\u00e7\u00e3o neutra diante do problema judaico, mas uma rejei\u00e7\u00e3o de seu<\/p>\n<p>radicalismo&#8230;\u201d (TRINDADE, 1979, p. 242).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1 \u00a0Suas \u00a0obras \u00a0passam \u00a0de \u00a0uma \u00a0centena \u00a0em \u00a0publica\u00e7\u00f5es \u00a0onde \u00a0os \u00a0temas \u00a0s\u00e3o \u00a0os \u00a0mais \u00a0variados, \u00a0abrangendo \u00a0arqueologia,<\/p>\n<p>biografias, \u00a0 contos, \u00a0 economia, \u00a0 ensaios, \u00a0 fic\u00e7\u00e3o, \u00a0 folclore, \u00a0 hist\u00f3ria, \u00a0 mem\u00f3rias, \u00a0 museologia, \u00a0 poesia \u00a0 e \u00a0 pol\u00edtica. \u00a0 Sua<\/p>\n<p>primeira \u00a0publica\u00e7\u00e3o \u00a0liter\u00e1ria \u00a0foi \u00a0Terra \u00a0e \u00a0Sol, \u00a0de \u00a01912, \u00a0que \u00a0descreve \u00a0o \u00a0sert\u00e3o \u00a0nordestino. \u00a0Foi \u00a0Redator \u00a0dos \u00a0jornais,<\/p>\n<p>Jornal \u00a0do \u00a0Cear\u00e1 \u00a0e \u00a0Jornal \u00a0do \u00a0Commercio, \u00a0al\u00e9m \u00a0de \u00a0diretor \u00a0da \u00a0revista \u00a0Fon-\u00ad?Fon, \u00a0entre \u00a0outras \u00a0contribui\u00e7\u00f5es. \u00a0 \u00a0(MOREIRA,<\/p>\n<p>Afonsina \u00a0Maria \u00a0Augusto., \u00a02006, \u00a0p. \u00a09 \u00a0-\u00ad? \u00a021).<\/p>\n<p>2 \u00a0 Para \u00a0 um \u00a0 maior \u00a0 entendimento \u00a0 sobre \u00a0 as \u00a0 pol\u00edticas \u00a0 fascistas \u00a0 e \u00a0 suas \u00a0 ideologias \u00a0 ler \u00a0 PAXTON, \u00a0 Robert \u00a0 O., \u00a0 2007 \u00a0 e<\/p>\n<p>STACKELBERG, \u00a0Roderick, \u00a02002.<\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Page 4<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>4<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A id\u00e9ia anti-judaica circulava em meio a sociedade, inicialmente ligada a quest\u00f5es<\/p>\n<p>religiosas. Para Maio (1992) existem dois modelos de anti-semitismo, o de \u201ccontinuidade\u201d e o de<\/p>\n<p>\u201cruptura\u201d. O anti-semitismo, ligado a id\u00e9ia de \u201ccontinuidade\u201d, seria segundo o pensamento de<\/p>\n<p>Norman Cohn3, uma continuidade do anti-semitismo existente na Idade M\u00e9dia. O anti-semitismo<\/p>\n<p>de \u201cruptura\u201d, baseado na filos\u00f3fa Hannah Arendt4, destacaria uma ruptura entre o anti-semitismo<\/p>\n<p>denominado de tradicional, que seria o religioso, e o moderno. No anti-semitismo tradicional, \u201c&#8230;<\/p>\n<p>Os judeus seriam o \u201cmal necess\u00e1rio\u201d no terreno religioso, como uma refer\u00eancia fundamental e<\/p>\n<p>negativa da verdade do cristianismo. Na inst\u00e2ncia econ\u00f4mica, agiriam como agentes monet\u00e1rios<\/p>\n<p>numa economia pr\u00e9-capitalista&#8230;\u201d (MAIO, 1992, p. 24.). J\u00e1 o anti-semitismo moderno:<\/p>\n<p>[&#8230;] inaugurou um per\u00edodo que em seu conjunto culminou no surgimento do<\/p>\n<p>totalitarismo. Seus contornos mais vis\u00edveis est\u00e3o localizados principalmente nas tens\u00f5es<\/p>\n<p>advindas com a modernidade, quando os judeus foram convocados \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no<\/p>\n<p>mundo da cidadania. Neste momento, a heran\u00e7a adversa do passado combinada com a<\/p>\n<p>nova inser\u00e7\u00e3o dos judeus na esfera dos direitos, criou uma s\u00e9rie de constrangimentos,<\/p>\n<p>cujo cl\u00edmax coincidiu com o aparecimento do mito da conspira\u00e7\u00e3o mundial judaica, no<\/p>\n<p>final do s\u00e9culo XIX, atrav\u00e9s de os Protocolos dos S\u00e1bios de Si\u00e3o. Estas tens\u00f5es teriam<\/p>\n<p>sido pretensamente elaboradas pelos judeus como parte de um plano pol\u00edtico de dom\u00ednio<\/p>\n<p>da humanidade. Os Protocolos s\u00e3o um indicador preciso da import\u00e2ncia dos conflitos<\/p>\n<p>entre Estado e sociedade em cujo cen\u00e1rio se destacariam os judeus. A partir do final do<\/p>\n<p>s\u00e9culo XIX, os judeus tiveram um papel singular como p\u00f3lo atrator de m\u00faltiplos<\/p>\n<p>descontentamentos sociais, devido \u00e0 sua inser\u00e7\u00e3o marginal na sociedade. Com isso,<\/p>\n<p>foram investidos do papel de fonte \u00fanica de todos os males.<\/p>\n<p>Desta forma, do \u201cmal necess\u00e1rio\u201d do per\u00edodo anterior surgiu a total intoler\u00e2ncia, que se<\/p>\n<p>expressou adiante na solu\u00e7\u00e3o nazista de elimina\u00e7\u00e3o (MAIO, 1992, p. 24, 25).<\/p>\n<p>A ruptura destacada por Maio (1992), entre o anti-semitismo tradicional e moderno, sendo<\/p>\n<p><em>Os Protocolos dos S\u00e1bios de Si\u00e3o<\/em>5 o marco dessa nova defini\u00e7\u00e3o social do anti-semitismo,<\/p>\n<p>destacou os judeus como detentores e causadores de todo o mal no mundo. Esse novo enfoque<\/p>\n<p>seria utilizado pelas pol\u00edticas fascistas, principalmente a nazista, em suas representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O livro <em>Os Protocolos dos S\u00e1bios de Si\u00e3o <\/em>foi um dos fundamentos do nazismo para legitimar<\/p>\n<p>suas a\u00e7\u00f5es e que, significativamente, foi traduzido por Gustavo Barroso no Brasil em 1936.<\/p>\n<p>Segundo Maio (1992):<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3 \u00a0Maio \u00a0utiliza \u00a0o \u00a0livro: \u00a0COHEN, \u00a0Norman. \u00a0A \u00a0Conspira\u00e7\u00e3o \u00a0Mundial \u00a0dos \u00a0Judeus: \u00a0Mito \u00a0ou \u00a0Realidade. \u00a0S\u00e3o \u00a0Paulo: \u00a0Ibrasa,<\/p>\n<p>4 \u00a0Maio \u00a0se \u00a0baseou \u00a0em: \u00a0HANNAH, \u00a0Arendt. \u00a0As \u00a0Origens \u00a0do \u00a0Totalitarismo: \u00a0Anti-\u00ad?semitismo. \u00a0Instrumento \u00a0de \u00a0Poder. \u00a0Rio \u00a0de<\/p>\n<p>Janeiro, \u00a0Document\u00e1rio, \u00a01975.<\/p>\n<p>5 \u00a0 \u201c&#8230; \u00a0 Os \u00a0 Protocolos \u00a0 s\u00e3o \u00a0 reconhecidamente \u00a0 um \u00a0 dos \u00a0 maiores \u00a0 best-\u00ad?sellers \u00a0 do \u00a0 mundo \u00a0 [&#8230;] \u00a0 A \u00a0 obra, \u00a0 publicada \u00a0 pela<\/p>\n<p>primeira \u00a0vez \u00a0na \u00a0R\u00fassia \u00a0em \u00a01903, \u00a0teria \u00a0como \u00a0autor \u00a0um \u00a0membro \u00a0da \u00a0pol\u00edcia \u00a0secreta \u00a0do \u00a0Czar \u00a0Nicolau \u00a0II&#8230;\u201d \u00a0(COSTA, \u00a0Luiz<\/p>\n<p>M\u00e1rio \u00a0Ferreira, \u00a02009, \u00a0p. \u00a0117, \u00a0118).<\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Page 5<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>5<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio dos anos 30, no que tange aos artigos na imprensa e \u00e0s principais obras<\/p>\n<p>publicadas na Rep\u00fablica Velha, n\u00e3o se observa em Barroso a presen\u00e7a de conte\u00fados<\/p>\n<p>antijudaicos. Pelo contr\u00e1rio, em alguns momentos at\u00e9 elogia o povo judeu, ao se deter<\/p>\n<p>em epis\u00f3dios de sua trajet\u00f3ria militar. S\u00f3 ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 30, aparecem os primeiros<\/p>\n<p>sinais de seu anti-semitismo (MAIO, 1992, p. 91).<\/p>\n<p>Apesar desta explica\u00e7\u00e3o de Maio (1992), ao analisarmos o livro de Gustavo Barroso,<\/p>\n<p><em>Aqu\u00e9m da Atl\u00e2ntida<\/em>, de 1931, antes de sua ades\u00e3o ao Integralismo, verificamos o emprego de<\/p>\n<p>mitos utilizados por nazistas, como a Atl\u00e2ntida, mitos n\u00f3rdicos, o <em>vril<\/em>, livros sagrados hindus,<\/p>\n<p>Thule, cita\u00e7\u00e3o de esot\u00e9ricos, como a russa Helena Blavatsky , entre outros6.<\/p>\n<p>Este livro em especial, ao que pudemos verificar, tem o intuito de demonstrar como<\/p>\n<p>ocorreu o povoamento e o surgimento das primeiras civiliza\u00e7\u00f5es no planeta, sendo a Atl\u00e2ntida o<\/p>\n<p>primeiro local do nascimento das sociedades. Mas, ainda neste texto, j\u00e1 pode-se constatar seu<\/p>\n<p>pensamento contr\u00e1rio ao comunismo e a sua condena\u00e7\u00e3o a riqueza.<\/p>\n<p>Neste trabalho, ao relatar a vis\u00e3o dos esot\u00e9ricos sobre o surgimento e o povoamento de<\/p>\n<p>Atl\u00e2ntida, relata sobre a utiliza\u00e7\u00e3o do <em>vril <\/em>como energia obtida da natureza ao qual era utilizado<\/p>\n<p>como \u201cfor\u00e7a\u201d para movimentar suas inven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tinham grandes navios e navegavam com a bussola. Empregavam a polvora e outros<\/p>\n<p>explosivos mais violentos. Andavam os ricos em barcos aereos movidos pelo misterioso<\/p>\n<p>vril; os pobres e os escravos em carros puxados por le\u00f5es e leopardos. Havia maquinas<\/p>\n<p>aeras de metal e madeira capazes de transportar de 80 a 100 homens.<\/p>\n<p>Sua industria prosperava. Exploravam minas. Traziam o cobre do Canad\u00e1, o ouro e a<\/p>\n<p>prata do Per\u00fa, quando os n\u00e3o fabricava quimicamente. Conheciam o metal denominado<\/p>\n<p>orichalco&#8230;<\/p>\n<p>Cern\u00e9, sua capital, a \u201ccidade das portas de ouro\u201d, ficava ao p\u00e9 de alta montanha de tres<\/p>\n<p>cumes&#8230; Foi isso que deu origem ao simbolo de tridente netuniano&#8230;<\/p>\n<p>A mulher era considerada igual ao homem e participava do governo. Podia exercer<\/p>\n<p>qualquer cargo publico, mesmo o de pontifice. Entretanto existia a poligamia limitada a<\/p>\n<p>tres esposas. Havia regimentos de guerreiros femininos e <em>fez-se uma experiencia<\/em><\/p>\n<p><em>comunista que deu pessimos resultados e foi logo abandonada&#8230; <\/em>(BARROSO, 1931, p.<\/p>\n<p>44, grifo nosso).<\/p>\n<p>7<\/p>\n<p>Al\u00e9m de descrever esta poderosa sociedade imagin\u00e1ria e as principais tecnologias<\/p>\n<p>desenvolvidas pelos atlantes, e de mencionar que a pol\u00edtica comunista n\u00e3o funcionou, destaca que<\/p>\n<p>o fim de Atl\u00e2ntida, baseando-se supostamente nos esot\u00e9ricos, ocorreu pelo<\/p>\n<p>[&#8230;] desequil\u00edbrio entre a evolu\u00e7\u00e3o moral e material. O orgulho do poder e da ci\u00eancia<\/p>\n<p>gerou o egoismo e a opress\u00e3o. O luxo engendrou a s\u00eade das riquezas. Os freios morais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6 \u00a0Para \u00a0uma \u00a0maior \u00a0compreens\u00e3o \u00a0sobre \u00a0mitologia \u00a0nazista \u00a0ver: \u00a0GOODRICK-\u00ad?CLARKE, \u00a02004.<\/p>\n<p>7 \u00a0Optamos \u00a0por \u00a0manter \u00a0a \u00a0grafia \u00a0original \u00a0dos \u00a0textos \u00a0de \u00a0Gustavo \u00a0Barroso.<\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Page 6<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>6<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>relaxaram-se e os apetites \u00e1 solta, de bra\u00e7o com a magia negra, trouxeram a idade da<\/p>\n<p>b\u00easta (BARROSO, 1931, p.45).<\/p>\n<p>Esse pensamento de luta entre a moral e o poder, ligado a ci\u00eancia, ser\u00e1 reiterado em seu<\/p>\n<p>outro livro, <em>O Quarto Imp\u00e9rio<\/em>, de 1935, momento em que j\u00e1 havia aderido ao Integralismo.<\/p>\n<p>Neste, especificamente, denotaria sua vis\u00e3o anti-semita, onde todas as guerras e desastres<\/p>\n<p>mundiais seriam vinculados aos judeus, os quais seriam intensificados com o advento do<\/p>\n<p>liberalismo.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 divido em quatro cap\u00edtulos, correspondendo estes a quatro per\u00edodos ocorridos,<\/p>\n<p>na vis\u00e3o de Barroso, na hist\u00f3ria mundial. Ele descreve o surgimento das primeiras civiliza\u00e7\u00f5es e<\/p>\n<p>os acontecimentos que levaram a v\u00e1rias mudan\u00e7as na sociedade, enfatizando a superioridade da<\/p>\n<p>ra\u00e7a branca principalmente relacionada \u00e0s qualidades morais.<\/p>\n<p>Em seu primeiro cap\u00edtulo, denominado de <em>O Imp\u00e9rio do Carneiro<\/em>, descreve que a<\/p>\n<p>sociedade era fundamentada nos preceitos morais religiosos, sendo que seu fundador foi <em>Ram <\/em>ou<\/p>\n<p><em>Rama<\/em>8 . Segundo Barroso, <em>Ram <\/em>foi o \u201c&#8230; o mais perfeito modelo da humanidade&#8230;\u201d<\/p>\n<p>(BARROSO, 1935, p. 23). Nesta sociedade a religi\u00e3o era a principal autoridade, donde, \u201c&#8230; O<\/p>\n<p>sacerd\u00f3cio formava uma teocracia intelectual encarregada da dire\u00e7\u00e3o cientifica e moral da<\/p>\n<p>sociedade. Abaixo da autoridade religiosa, a autoridade pol\u00edtica, civil e militar, exercida pelo<\/p>\n<p>imperador, a que estavam sujeitos os Reis&#8230;\u201d (BARROSO, 1935, p. 40).<\/p>\n<p>Esse imp\u00e9rio perfeito, para Barroso, sucumbiu ap\u00f3s trinta e dois s\u00e9culos, antes de Cristo.<\/p>\n<p>A luta pela sucess\u00e3o entre dois irm\u00e3os: <em>Tar\u00e1khya<\/em>, o mais velho, e <em>Irsh\u00fa<\/em>, trouxeram o seu fim. O<\/p>\n<p>irm\u00e3o mais novo, para alcan\u00e7ar seu objetivo, \u201c&#8230; revoltou-se contra o dogma que fazia de Deus<\/p>\n<p>um principio masculino e punha, em consequencia, no Estado Social, o Homem antes da Mulher,<\/p>\n<p>dando ao Pai predominancia sobre a M\u00e3e&#8230;\u201d (BARROSO, 1935, p. 43).<\/p>\n<p>Essa divis\u00e3o, para Barroso, \u00e9 a causa da separa\u00e7\u00e3o entre a sabedoria (masculino) e amor<\/p>\n<p>(feminino). Os homens, que passam a seguir suas paix\u00f5es, n\u00e3o foram mais capazes de<\/p>\n<p>compreender a totalidade, pois, baseando-se na raz\u00e3o,<\/p>\n<p>[&#8230;] nunca poder\u00e1 encontrar s\u00f3zinha uma Causa ou um Principio Universais, se a<\/p>\n<p>Inteligencia os n\u00e3o indicar. Ora, como poderia a Inteligencia fazer isso, se, no \u00e1pice do<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>8 \u00a0Personagem \u00a0principal \u00a0da \u00a0epop\u00e9ia \u00a0religiosa \u00a0indiana, \u00a0O \u00a0Ram\u00e1iana, \u00a0escrito \u00a0supostamente \u00a0pelo \u00a0poeta \u00a0Valmiqui, \u00a0mas,<\/p>\n<p>n\u00e3o \u00a0se \u00a0h\u00e1 \u00a0certeza \u00a0sobre \u00a0sua \u00a0autoria. \u00a0(Introdu\u00e7\u00e3o \u00a0de \u00a0Paulo \u00a0Matos \u00a0Paixoto \u00a0do \u00a0livro \u00a0<em>O \u00a0Ram\u00e1iana<\/em>, \u00a0supostamente \u00a0do<\/p>\n<p>poeta \u00a0Valmiqui, \u00a0editora \u00a0Paumape, \u00a01993)<\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Page 7<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>7<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>teu novo Culto e Universidade, p\u00f5es o Amor antes da Sabedoria, a Alma antes do<\/p>\n<p>Esp\u00edrito, a Esposa antes do Esposo, a Natureza Celeste antes de Deus. [&#8230;] n\u00e3o ser\u00e3o<\/p>\n<p>mais poss\u00edveis nenhuma hierarquia intelig\u00edvel e nenhum governo inteligente. Tudo o que<\/p>\n<p>f\u00f4r elevado se rebaixar\u00e1 na mediocridade comum, toda dignidade impessoal se afundar\u00e1<\/p>\n<p>no personalismo e no materialismo governamentais (BARROSO, 1935, p. 50).<\/p>\n<p>Esse acontecimento acarretou no surgimento da Babil\u00f4nia e consequentemente, dos<\/p>\n<p>judeus, que segundo Gustavo Barroso, passaram a degenerar a humanidade e a afast\u00e1-la da<\/p>\n<p>religiosidade. A partir do momento que o homem se afastou da religi\u00e3o, para Gustavo,<\/p>\n<p>Na ci\u00eancia como na vida, o Deus Social Terreno, a Antiga Sintese Unitaria, ser\u00e1<\/p>\n<p>despeda\u00e7ada e logo, fatalmente, se seguir\u00e1 espantosa desordem no dominio dos fatos.<\/p>\n<p>Profundamente desiguais em inteligencia e vontade, a maioria dos homens desconhecer\u00e1<\/p>\n<p>as verdades que n\u00e3o poder\u00e1 alcan\u00e7ar e que ter\u00e1s posto \u00e1 merc\u00ea da opini\u00e3o e das paix\u00f5es<\/p>\n<p>p\u00fablicas [&#8230;] A vontade arbitraria dos primeiros dividir-se-\u00e1 continuamente contra ela<\/p>\n<p>propria. O instinto original e selvagem do homem primitivo reaparecer\u00e1 toalmente nos<\/p>\n<p>segundos. E uns conduzir\u00e3o os outros \u00e1 perdi\u00e7\u00e3o, destruindo a Ordem Social e<\/p>\n<p>Intelectual que os mantem em paz, e devorando-se em v\u00e3o sobre suas ru\u00ednas, na<\/p>\n<p>incessante competi\u00e7\u00e3o do Poder Impotente sem Autoridade Moral para o iluminar&#8230;<\/p>\n<p>(BARROSO, 1935, p. 48,49).<\/p>\n<p>A ambi\u00e7\u00e3o dos homens, segundo Barroso, fez com que Deus fosse deixado de lado,<\/p>\n<p>provocando surgimento de um novo Imp\u00e9rio, <em>O Imp\u00e9rio da Loba<\/em>, tema do segundo cap\u00edtulo de<\/p>\n<p>seu livro. Neste tema, Barroso descreve Roma como a capital desse Imp\u00e9rio, sem base moral e<\/p>\n<p>religiosa, denominando-a como a nova Babil\u00f4nia: \u201c&#8230; A luxuria, a magia negra, a gula, os vicios e<\/p>\n<p>riquezas da Asia e da Africa, a sutileza filosofica da decad\u00eancia grega e as organiza\u00e7\u00f5es secretas<\/p>\n<p>dos judeus parasitarios haviam invadido a nova Babil\u00f3nia&#8230;\u201d (BARROSO, 1935, p. 70).<\/p>\n<p>A denota\u00e7\u00e3o religiosa, encontrada em seus textos, est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 ideologia<\/p>\n<p>integralista, onde h\u00e1 um forte embasamento crist\u00e3o em seus discursos. A moral crist\u00e3 \u00e9 pregada<\/p>\n<p>como forma de acabar com o materialismo mundial, constituindo-se tamb\u00e9m em um instrumento<\/p>\n<p>de legitima\u00e7\u00e3o e persuas\u00e3o pol\u00edtica do integralismo. Para Cruz (2004):<\/p>\n<p>[&#8230;] os valores crist\u00e3os \u2013 \u00e9 um condicionamento imagin\u00e1rio, na medida em que faz parte<\/p>\n<p>do instrumental ideol\u00f3gico do movimento na constru\u00e7\u00e3o de uma imagem que oculta o<\/p>\n<p>seu verdadeiro car\u00e1ter. N\u00e3o que os adeptos do integralismo n\u00e3o fossem, de fato crist\u00e3os,<\/p>\n<p>mas o culto ao cristianismo n\u00e3o era o empecilho real ao discurso racista cl\u00e1ssico, e sim<\/p>\n<p>um meio de legitimar as id\u00e9ias do movimento (CRUZ, Natalia dos Reis, 2004, p.113).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta vis\u00e3o de luta entre espiritualismo e materialismo, verificado principalmente nos<\/p>\n<p>discursos do l\u00edder integralista, Pl\u00ednio Salgado, ser\u00e1 tamb\u00e9m uma das bases do discurso<\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Page 8<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>8<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>barrosiano. \u201c&#8230; O confronto permanente entre bem e mal explica-se, segundo Salgado, pela<\/p>\n<p>oposi\u00e7\u00e3o entre duas concep\u00e7\u00f5es de vida e de finalidade: o materialismo e o espiritualismo&#8230;\u201d<\/p>\n<p>(TRINDADE, 1979, p. 202).<\/p>\n<p>O livro <em>O Quarto Imp\u00e9rio<\/em>, como um todo, demonstra a luta entre a moral e o material, os<\/p>\n<p>crist\u00e3os contra os judeus, sendo a modernidade e a ci\u00eancia formas de desvirtuar o homem do<\/p>\n<p>divino. No imp\u00e9rio da Loba, com o surgimento do cristianismo e do feudalismo, a luta entre a<\/p>\n<p>moral e o material teria sido mais intensificada. Para Barroso inclusive o islamismo foi criado<\/p>\n<p>pelos judeus para acabarem com o cristianismo atrav\u00e9s de infiltra\u00e7\u00f5es de id\u00e9ias \u201cjudaico-\u00e1rabes\u201d,<\/p>\n<p>ligadas a dissemina\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, pondo fim a Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>O arabismo apresentou-se como um sistema cientifico com a finalidade de matar o<\/p>\n<p>sistema religioso. Baseou-se na teoria da absorp\u00e7\u00e3o e da emana\u00e7\u00e3o. Disfar\u00e7ado no arabe,<\/p>\n<p>o judeu trocou o Deus que morava por tr\u00e1s do v\u00e9u do Templo por uma Inteligencia<\/p>\n<p>Infinita espalhada no C\u00f3smos[&#8230;] (BARROSO, 1935, p. 85).<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, o liberalismo e o comunismo, foram todas formas encontradas por<\/p>\n<p>judeus, segundo Barroso, para aniquilar o cristianismo. Para Barroso, o capitalismo fez com que<\/p>\n<p>o com\u00e9rcio, ind\u00fastrias e os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, ficassem nas m\u00e3os de poucos ,<\/p>\n<p>influenciando toda a sociedade. Gustavo afirma que mesmo a Primeira Guerra Mundial, teve<\/p>\n<p>interesse judaico, para a obten\u00e7\u00e3o de lucros atrav\u00e9s da fabrica\u00e7\u00e3o de armas. \u201c&#8230; No dia da grande<\/p>\n<p>presta\u00e7\u00f5es de contas, \u00easse crime custar\u00e1 muito caro \u00e1 Europa infeudada aos fabricantes e<\/p>\n<p>traficantes de armamento&#8230;\u201d (BARROSO, 1935, p. 153).<\/p>\n<p>Para Gustavo Barroso, a t\u00e9cnica, a ci\u00eancia a modernidade em geral, foram apenas meios<\/p>\n<p>para um determinado grupo de pessoas, os judeus, obterem lucro e poder mundial. No <em>Imp\u00e9rio<\/em><\/p>\n<p><em>do Capric\u00f3rnio<\/em>, o Imp\u00e9rio onde os judeus obt\u00eam maior poder maior poder, principalmente ap\u00f3s o<\/p>\n<p>surgimento do liberalismo,<\/p>\n<p>[&#8230;] o Homem desceu ao despreso completo da Imortalidade, para se contentar com a<\/p>\n<p>crea\u00e7\u00e3o na Terra duma existencia cheia de alegrias. O aperfei\u00e7oamento da t\u00e9cnica e a<\/p>\n<p>regulamenta\u00e7\u00e3o perfeita da produ\u00e7\u00e3o e do consumo s\u00e3o os meios mais capazes de levar o<\/p>\n<p>Homem a \u00easse novo para\u00edso. Toda a confus\u00e3o assoprada pelo nemrodismo judaico vem<\/p>\n<p>produzir \u00easte resultado fatal: o Imperio Economico manejado por algumas m\u00e3os&#8230;<\/p>\n<p>(BARROSO, 1935, p. 138).<\/p>\n<p>Para Barroso, a t\u00e9cnica, a ci\u00eancia, a filosofia e os novos preceitos pol\u00edticos da<\/p>\n<p>modernidade, foram meios encontrados pelos judeus para controlarem a popula\u00e7\u00e3o. \u201c&#8230; A<\/p>\n<p>m\u00e1quina, de serva do homem, se tornou sua senhora, reduzindo \u00e1s mais tristes condi\u00e7\u00f5es a<\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Page 9<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>9<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>mercadoria-trabalho&#8230;\u201d (BARROSO, 1935 p. 150). Ele afirma que, o materialismo burgu\u00eas est\u00e1<\/p>\n<p>ligado, ao ate\u00edsmo, e esse \u201cmal\u201d, s\u00f3 poderia acabar com o aparecimento de outro regime, este<\/p>\n<p>com regras morais, o Integralismo, o \u201cImp\u00e9rio do Cordeiro\u201d. O conhecimento, no futuro Imp\u00e9rio<\/p>\n<p>do Carneiro, estaria ligado ao divino, sendo algo revelado por Deus,<\/p>\n<p>Seu fundador n\u00e3o via somente o mundo da substancia, porque conhecia o da essencia das<\/p>\n<p>cousas. A essencia do Estado, para \u00eale, n\u00e3o era o poder do homem pervertido pela<\/p>\n<p>ambi\u00e7\u00e3o pessoal ou pelas falsas categorias mentais, nem somente o poder da raz\u00e3o<\/p>\n<p>expresso na lei, mas o da raz\u00e3o, resultando da observa\u00e7\u00e3o das realidades e norteada pela<\/p>\n<p>inspira\u00e7\u00e3o superior do Espirito unido a Deus (BARROSO, 1935, p. 39).<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais <\/strong><\/p>\n<p>Os discursos de Barroso, assim como os fascistas, tiveram o intuito de obter influ\u00eancia<\/p>\n<p>sobre a sociedade em busca do poder pol\u00edtico. Neste pensamento, pode-se verificar que suas<\/p>\n<p>representa\u00e7\u00f5es da tecnologia, ci\u00eancia e modernidade, estavam totalmente ligadas a sua vis\u00e3o<\/p>\n<p>pol\u00edtica, sendo agenciadas em sua luta contra o liberalismo. Suas representa\u00e7\u00f5es, ligadas<\/p>\n<p>principalmente ao cristianismo, foram utilizadas para a manipula\u00e7\u00e3o de ideias das massas para<\/p>\n<p>obter legitimidade pol\u00edtica,em um momento de crises econ\u00f4micas e sociais , atrav\u00e9s do<\/p>\n<p>argumento maniqueista do mal que o homem -principalmente o semita- trazia a humanidade.<\/p>\n<p>O combate a modernidade em si, para Barroso, estava relacionado \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na<\/p>\n<p>sociedade. Somente as pol\u00edticas fascistas, das quais, para Barroso o Integralismo fazia parte,<\/p>\n<p>poderia mudar esse quadro. Para Barroso:<\/p>\n<p>No dia em que as doutrinas fascistas tiverem o mundo inteiro nas m\u00e3os, numa alian\u00e7a<\/p>\n<p>universal [&#8230;] um equilibrio social melhor permitir\u00e1 aos povos a tranq\u00fcilidade necess\u00e1ria<\/p>\n<p>para organizarem a Paz Social, livres da despudorada intriga da imprensa e da<\/p>\n<p>propaga\u00e7\u00e3o de doutrinas dissolventes, gra\u00e7as \u00e1s medidas de prote\u00e7\u00e3o contras as for\u00e7as<\/p>\n<p>ocultas e parasitarias movidas por messianismos sem escr\u00fapulos (BARROSO, 1935, p.<\/p>\n<p>171).<\/p>\n<p><strong>*Agradecemos ao CNPQ, pelo apoio a esta pesquisa atrav\u00e9s de bolsa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica <\/strong><\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Page 10<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>10<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BARROSO,Gustavo. <em>Aqu\u00e9m da Atl\u00e2ntida. <\/em>S\u00e3o Paulo: Nacional, 1931.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BARROSO, Gustavo. <em>O quarto Imp\u00e9rio<\/em><strong>. <\/strong>Rio de Janeiro: J. Olympio, 1935<\/p>\n<p>CHARTIER, Roger. <em>A Hist\u00f3ria Cultural: entre pr\u00e1ticas e representa\u00e7\u00f5es<\/em>. 2\u00aa ed. Rio de Janeiro:<\/p>\n<p>Difel, 2002, p. 1-28.<\/p>\n<p>COSTA, Luiz M\u00e1rio Ferreira. <em>Ma\u00e7onaria e Antima\u00e7onaria<\/em>: Uma an\u00e1lise da \u201cHist\u00f3ria secreta do<\/p>\n<p>Brasil\u201d de Gustavo Barroso. 2009. 167 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria) \u2013 Faculdade de<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria, Universidade Federal de Juiz de Fora,Juiz de Fora, 2009.<\/p>\n<p>CRUZ, Natalia dos Reis. <em>O Integralismo e a quest\u00e3o racial. A intoler\u00e2ncia como princ\u00edpio<\/em><strong>. <\/strong>2004.<\/p>\n<p>302 f. Tese (Doutorado em Hist\u00f3ria Pol\u00edtica) Departamento de Hist\u00f3ria, Universidade Federal<\/p>\n<p>Fluminense, Niter\u00f3i, 2004.<\/p>\n<p>FAUSTO, Boris. <em>O pensamento nacionalista autorit\u00e1rio<\/em>: (1920-19440). Rio de janeiro: Jorge<\/p>\n<p>Zahar Ed., 2001.<\/p>\n<p>GOODRICK-CLARKE, Nicolas<strong>. <\/strong><em>Sol Negro<\/em><strong>: <\/strong>Cultos Arianos, Nazismo Esot\u00e9rico e a Pol\u00edtica da<\/p>\n<p>Identidade. S\u00e3o Paulo: Madras, 2004.<\/p>\n<p>HERF, Jeffrey. <em>O modernismo reacion\u00e1rio<\/em><strong>: <\/strong>tecnologia, cultura e pol\u00edtica na Rep\u00fablica de<\/p>\n<p>Weimar e no Terceiro Reich. S\u00e3o Paulo: Ensaio, 1993, p. 1-29.<\/p>\n<p>LENHARO, Alcir. <em>Nazismo \u201cO triunfo da vontade\u201d<\/em>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1986.<\/p>\n<p>MAIO, Marcos Chor. <em>Nem Rotschild nem Trotsky<\/em><strong>: <\/strong>o pensamento anti-semita de Gustavo Barroso.<\/p>\n<p>Rio de Janeiro: Imago, 1992.<\/p>\n<p>MOREIRA, Afonsina Maria Augusto. <em>No norte da saudade: <\/em>Esquecimento e Mem\u00f3ria em<\/p>\n<p>Gustavo Barroso. 2006. 301 f. Tese (Doutorado em Hist\u00f3ria Social), Departamento de Hist\u00f3ria,<\/p>\n<p>Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2006, p. 9 &#8211; 21<\/p>\n<p>PAXTON, Robert O. <em>A Anatomia do Fascismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 2007.<\/p>\n<p>QUELUZ, Gilson L. Hist\u00f3ria da Tecnologia e Narrativas Tecnol\u00f3gicas<strong>: <\/strong>Representa\u00e7\u00f5es de<\/p>\n<p>Tecnologia em Pl\u00ednio Salgado. <em>Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia e Ensino<\/em>: construindo interfaces ISSN 2178-<\/p>\n<p>2911, v. 2, 2010, p. 26-47.<\/p>\n<p>STACKELBERG, Roderick. <em>A Alemanha de Hitler<\/em>: origens, interpreta\u00e7\u00f5es, legados. Rio de<\/p>\n<p>Janeiro: Imago, 2002.<\/p>\n<p>TRINDADE, Helgio. <em>Integralismo<\/em><strong>: <\/strong>o fascismo brasileiro na d\u00e9cada de 30. 2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p>DIFEL, 1979.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; This is the html version of the file https:\/\/www.esocite.org.br\/eventos\/tecsoc2011\/cd-anais\/arquivos\/pdfs\/artigos\/gt017-representacoesde.pdf. Google automatically generates html versions of documents as we crawl the web. Representa\u00e7\u00f5es de Tecnologia e ci\u00eancia nas obras de Gustavo Barroso (1930- 1935) Representations of science and technology in Page 1 1 &nbsp; Representa\u00e7\u00f5es de Tecnologia e ci\u00eancia nas obras de Gustavo Barroso (1930- [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[5322],"tags":[],"class_list":["post-30510","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-archive"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/atlantipedia.ie\/samples\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/atlantipedia.ie\/samples\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/atlantipedia.ie\/samples\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atlantipedia.ie\/samples\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/atlantipedia.ie\/samples\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30510"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/atlantipedia.ie\/samples\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30510\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/atlantipedia.ie\/samples\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/atlantipedia.ie\/samples\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/atlantipedia.ie\/samples\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}